27 de mai. de 2010

Descobrindo

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
Nuvens encobrem meus olhos,
Uma neblina que esfria minha pele,
Caminho no escuro,
Escuto o som do mundo,
A misturar,
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Triturar a luz do dia,
Em meio a magia dos sonhos,
Ainda respiro,
Transpiro,
A desejar,
De forma vaga,
Que o sol me traga,
O calor,
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Desaba em meus olhos,
Tornar, distorcer,
Em pedaços,
Sei que vou sobreviver
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
Minha voz no vento.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque a escreveu.

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