30 de mar. de 2011

Aceite.


Você para olha, num chove-não-molha
Fingindo não ver, querendo dizer
Pra não esperar, melhor nem pensar
Que possa dar certo, melhor ficar quieto
Melhor ir embora, nem ficar por perto
Chateação. Como parte da vida
Figura amorfa que se espelha
Na parede fria da alma
Fere a pele, dilacera as entranhas
Parece praga. Não há antídoto
Vem pra ficar, como sombra
Como companhia insólita
Entra, nem sequer bate a porta
Aperta o peito, vontade loca de gritar.
Se faz presente como vigia
No prazer mórbido de quem a traz
calar-se , e esperar ou levantar-se e
Com toda força grite.
Sem saber o mal que isto tudo faz
E o que fazer? Tudo ou
Apenas silenciar, como resposta
Deixar o tempo passar
Como melhor remédio
Só o tempo sabe curar.
Deixar o coração se acostumar
Como mais uma vez aceitar
E fingir-se como nada tivesse ocorrido.
E deixar até que tudo exploda.

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